Seminário marca 20 anos do ECA
Enviado em 16 julho 2010 por Coracy
CONANDA reconhece avanços, mas cobra prioridade absoluta para crianças e adolescentes nos orçamentos públicos
Brasil avançou muito na implantação de políticas públicas para o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas para garantir a qualidade dessas políticas, é preciso tratar a infância como prioridade absoluta nos orçamentos públicos. A avaliação foi feita pelo Presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), Fábio Feitosa, durante seminário Os 20 Anos do ECA e as Políticas Públicas: Conquistas e Desafios, promovido pela Câmara Federal.
O evento reuniu, durante dois dias, representantes do governo, da sociedade civil, e também adolescentes que fizeram um balanço sobre as duas décadas de implementação do Estatuto da Criança e do Adoldescente (ECA) e apontaram desafios para os próximos anos. “Não é a falta de dinheiro é falta vontade política, de tratar a criança e o adolescente como prioridade absoluta nos orçamentos públicos”, enfatizou Fábio Feitosa.
O Presidente do CONANDA participou da mesa de abertura do Seminário. Ele iniciou a apresentação com um vídeo feito durante a 8ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que aconteceu final do ano passado, onde crianças colocavam em uma árvore papéis em formato de folhas que estavam escritos quais direitos elas queriam ter. “Nesses 20 vimos uma melhora expressiva na vida de quase 60 milhões de brasileiros com menos de 18 anos: redução da mortalidade infantil, analfabetismo, trabalho infantil, mas ainda temos muito que avançar, como, por exemplo, na violência contra crianças e adolescentes”, relatou.
Segundo Fábio Feitosa é preciso garantir prioridade para crianças e adolescentes nos orçamentos públicos da União, estados e municípios. O apelo do CONANDA é perfeitamente entendido quando analisamos os números. Segundo levantamento feito pelo INESC, até o dia 9 de julho foram executados R$ 22,8 bilhões nas ações orçamentárias que impactam diretamente crianças e adolescentes. Isso representa apenas 41% do total autorizado previsto para elas (ou R$ 54,8 bilhões). Em 2009, o valor autorizado do OCA chegou a R$ 50,8 bilhões, mas ao final do ano, a execução efetiva foi de somente 85,4% do valor autorizado (R$ 43,4 bilhões).
Uma das dificuldades em estabelecer prioridade absoluta para crianças e adolescentes nos orçamentos é a inexistência de um planejamento de médio e longo prazo. Fábio Feitosa informou que com o objetivo de suprir essa lacuna, o CONANDA está elaborando uma Política Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente para os próximos dez anos. Ele apresentou aos participantes do Seminário, diretrizes e eixos que essa Política pretende contemplar. “É um sonho porque torna as políticas de defesa dos direitos infanto-juvenis em ações de Estado, e não de governo. Isso quer dizer que vai ser um processo contínuo independente de quem seja o gestor público”, explicou.
As diretrizes do Plano Decenal foram deliberadas em 2009, durante a 8ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e a Política está sendo construída com a participação dos conselhos federal, estadual e municipal. O documento também vai passar por consulta pública e a idéia do CONANDA é entregar ainda neste ano o documento aprovado para o governo de transição do novo Presidente do Brasil
Fonte: http://www.direitosdacrianca.org.br/
Foto: Agência Câmara






